Ex-funcionários que trabalhavam em empresas terceirizadas pela Vale estiveram na Câmara Municipal pedindo ajuda. O grupo representa mais de 500 pessoas que estão desempregadas, aguardando por uma nova oportunidade.

O problema é que as empresas estariam contratando apenas funcionários de outras cidades, em detrimento dos uberabenses. Andres Espinola Oliveira, conhecido como “Paraguai” esteve no Plenário e falou em nome dos colegas.

Ele explicou que todos os anos a Vale realiza uma licitação para contratar uma empresa terceirizada, a qual realiza um trabalho temporário, durante o período de três a seis meses. Porém, segundo Andres, de um tempo para cá as empresas têm contratado apenas funcionários de suas cidades de origem, deixando os moradores de Uberaba de lado.

Andres contou que ele encaminhou cerca de 500 currículos para o Sine e já se reuniu com o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, José Renato Gomes, para quem pediu ajuda.

Na Câmara os ex-funcionários solicitaram apoio para a aprovação de uma lei que estipule uma porcentagem obrigatória de contratados no Município, de pelo menos 40%.

O vereador Marcelo Machado Borges “Borjão” (PR) tem acompanhado a luta dos desempregados para voltarem ao mercado de trabalho. Ele disse que desde o ano passado tentam buscar uma saída para a situação, tendo sido inclusive criada uma comissão com este objetivo.

“Borjão” contou que conversou com o secretário José Renato, o qual informou que no dia 18 serão liberadas de 100 a 150 vagas. Inicialmente o vereador disse que iria esperar até a data e caso nada acontecesse, defendeu que os 14 vereadores chamem os responsáveis pelas empresas para darem explicações e exigirem que pessoas qualificadas sejam contratadas no Município.

De acordo com o vereador, ele vai encaminhar um ofício as empresas, pois entende que não tal situação pode ser permitida, e que os moradores da cidade precisam ser contratados. “Pais de família estão desesperados e eu espero que todos os vereadores assinem o documento”, comentou “Borjão”.

André Espíndola fez um apelo e disse que a luta é constante, pois todos querem trabalhar na cidade, onde moram e pagam seus impostos. Ele agradeceu a oportunidade de estar na CMU. 

O vereador Paulo César Soares “China” (PMN) cobrou uma postura do prefeito Paulo Piau e criticou que pais de família estejam sendo deixados de lado, para que pessoas de fora sejam contratadas. Ele quer que o chefe do Executivo aja em prol dos trabalhadores.

O vereador João Gilberto Ripposati (PSD) também se manifestou, lembrando que foi autor de uma lei em 2002 (Programa Municipal da Qualidade e Produtividade do Município de Uberaba – Lei 8.122), como incentivo para que as empresas tenham mão de obra qualificada, através da realização de cursos. Ripposati lembrou que a lei foi sancionada pelo então prefeito Marcos Montes Cordeiro e está valendo até hoje, defendendo que ela novamente se torne realidade.

O vereador sugeriu que funcionários com experiências de dez, 20, 30 anos, poderiam ser os orientadores dos cursos. Ele disse que já conversou sobre o assunto com o secretário José Renato, mas não conseguiu nenhum posicionamento. “O sindicato precisa entrar nesta discussão para defender os trabalhadores”, afirmou Ripposati, defendendo que não esperem até o dia 18 para tentar resolver o problema, com a formação de uma Frente Parlamentar, em defesa do trabalho e da preservação da mão de obra local

Para o vereador Edcarlo dos Santos Carneiro “Kaká Se Liga” (PR), se a cidade tem um PIB satisfatório, é graças aos trabalhadores, aos funcionários destas empresas. Ele disse que o Poder Legislativo precisa participar e também defendeu que não esperem o dia 18 e batam as portas destas empresas. “Borjão” concordou que marquem uma reunião o mais rápido possível, até o início da próxima semana.

“Kaká” afirmou que é preciso ter a postura de respeitar o Legislativo uberabense. Ele questionou o porquê de o uberabense estar sendo preterido por estas empresas e quer respostas. “Se não tivermos uma solução, podemos tomar outras medidas, inclusive via judicial”, concluiu o vereador.

O vereador Franco Cartafina (PHS) se colocou a disposição para ajudar e afirmou ter ficado feliz de ver que a Casa cumpre seu papel, de defender os cidadãos, pois a Câmara é uma caixa de ressonância da vontade da população. Segundo Franco, os trabalhadores precisam de respostas, uma vez várias cidades já encontraram saídas para que os funcionários possam trabalhar.

“Se a parada é de três ou quatro meses, que quadro fixo é este?”, questionou Franco. Ele afirmou, ainda, que os trabalhadores precisam ser defendidos, ainda mais em um momento tão difícil, pelo qual passa o País.

O vereador Ismar Vicente dos Santos “Marão” (PSD) lembrou que já tentaram aprovar um projeto, constando que 30% da mão de obra têm que ser do município, porém o mesmo foi considerado inconstitucional. “Eu entendo que deveria ser ao contrário, com 70% de mão de obra local”, afirmou, defendendo que a proposta seja levada ao Executivo, para que a lei seja mudada.

Cléber Humberto de Sousa Ramos “Cléber Cabeludo” disse que está junto com os trabalhadores e espera que a secretaria de Desenvolvimento Econômico acompanhe as negociações, com o empenho do secretário José Renato. Para o vereador Samir Cecílio (PSDB), é preciso separar duas questões, primeiramente a questão mercadológica. “Fica difícil um vereador interferir na questão, pois uma série de coisas influencia, principalmente o capital, que tem um peso muito grande”, explicou.

Mas, segundo ele, tem outro lado, que é a questão social, na qual o poder público tem a obrigação de atuar. “As empresas estão aqui porque viram oportunidades e em algum momento dependem do Poder Público, em maior ou menor grau”, acrescentou. 

Ainda de acordo com Samir, as questões sociais dizem respeito diretamente à comunidade uberabense. “Dezenas, às vezes centenas de trabalhadores estão sendo preteridos, e o Poder Público tem sim poder de negociação. É a visão social que precisa ser predominante neste momento”, concluiu Samir.

O líder do Executivo, Elmar Goulart (PMN) também saiu em defesa dos trabalhadores. Ele disse que em agosto de 2015 tomou conhecimento de empresas que estavam buscando mão de obra em outros municípios, deixando de oferecer oportunidades a quem é de Uberaba. “Acho uma falta de respeito para com os moradores da cidade, e também concordo que seja estipulada, através de lei, uma porcentagem mínima de trabalhadores que devem ser contratados”, defendeu Elmar. De acordo com o vereador, a voz dos trabalhadores precisa ser ouvida através dos vereadores, que vão cobrar sim uma atitude do Poder Executivo. 

Ainda na reunião ficou definido que será formada uma comissão para que no início da próxima semana seja realizada uma reunião com representantes das empresas. A reunião será solicitada pelo presidente Luiz Dutra (PMDB). “Borjão” espera que os 14 vereadores participem. “É uma questão de honra para o Legislativo, para mostrar o poder de força que esta Casa tem”.

 

 

Jorn. Hedi Lamar Marques

Departamento de Comunicação CMU

12/05/2016

 

 

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