Cléber apóia greve dos eletricitários da CEMIG
O vereador Cléber Humberto de Souza Ramos – Cléber Cabeludo (PROS) recebeu na segunda-feira (02) o Sindicato dos Eletricitários de Minas Gerais e funcionários da CEMIG, em greve desde o dia 25/11, para se inteirar da pauta de reivindicações encaminhada ao presidente da CEMIG, Djalma Bastos. O encontro aconteceu no salão nobre da Câmara Municipal.
Cléber manifestou apoio aos grevistas e falou sobre a desvalorização dos trabalhadores da empresa. Destacou o serviço de terceirização adotado pela Cemig, "maneira que a empresa encontrou para enxugar o quadro de funcionários e, consequentemente, baixar os seus custos", disse.
Samuel Chaves, diretor do SINDIELETRO/Uberaba, agradeceu o vereador por recebê-los e informou que o motivo de procurar a CMU é para pedir que interfira junto às demais autoridades do Estado, para que o presidente da Cemig possa recebê-los em audiência e ouvir as propostas do comando de greve, sendo a principal delas voltada à saúde e segurança dos trabalhadores. Disse que a categoria está decepcionada com a postura do presidente Djalma, pois desde outubro, quando encaminhou a pauta de reivindicação à Cemig, vem tentando marcar esse encontro, e até agora não obtiveram nenhuma resposta da empresa.
Ressaltou que hoje a administração da Cemig visa somente ganhos financeiros, sem nenhum investimento na qualidade de trabalho dos funcionários. Informou que a empresa gerou cerca de R$ 4,5 bilhões de lucros que foram entregues nas mãos dos acionistas, "uma destas fatias ficou com a Construtora Andrade Gutierrez que tem 33% de ações da Cemig", ressaltou.
 Disse que é preciso fazer com que a Cemig volte a ser a maior empresa do Estado de MG, onde os funcionários tinham vontade de trabalhar. "Por ser uma empresa do governo, acionista majoritária, ela tem a obrigação de prestar um serviço de qualidade para a sociedade", afirmou.
Chagas salientou que a Cemig tem sido agressiva no serviço de terceirização. Hoje a empresa tem cerca de 8.500 funcionários concursados e 20 mil terceirizados. Ressaltou a péssima qualidade do serviço que hoje a empresa presta para a sociedade. Ele justifica essa queda da qualidade nas constantes rotatividades de funcionários terceirizados, e com isso não dá tempo de capacitá-los tecnicamente. Exemplificou que para que o profissional esteja apto para exercer suas funções leva cerca de dois anos de aprendizado e hoje com três a quatro meses de treinamento os terceirizados são colocados para trabalharem. "Acreditamos que é por isso que tem crescido o número de acidentes no trabalho. Um funcionário a cada 45 dias sofre acidente enquanto trabalha. A maior causa é de choque elétrico, e muitos chegam a óbito", informou. Acrescentou que no ano passado tiveram que apelar à justiça para garantir o que foi negociado com a Cemig. "Quanto aos inúmeros acidentes de trabalho, a justiça alegou que só poderia julgar as causas econômicas. Não podia julgar o fato dos trabalhadores estarem perdendo suas vidas, sendo mutilados, por negligência da empresa", disse indignado. 
Inconformado, Samuel informou que 140 funcionários da Cemig foram demitidos, que não estavam no movimento grevista. Muitos eram aposentados e que continuavam prestando seus serviços para a empresa e outros que já estavam aptos para requerer aposentadoria. "Mesmo depois de muitos anos de trabalho na Cemig, não teve nenhum valor para a empresa". 
Willian Franklin, diretor do SINDIELETRO/Uberlândia, salientou que esta é a pior gestão da Cemig, que não tem diálogo de negociação, por isso disse que está recorrendo aos políticos de todas as cidades mineiras para interceder em favor dos trabalhadores, para agilizar o encontro com o presidente da empresa e iniciar as negociações. Informou que a maioria dos funcionários estão na Cemig há cerca de 26 anos, que eram valorizados nas gestões anteriores. "Muitos trabalhadores acumulam funções por falta de funcionários qualificados na empresa e há cinco mil concursados aguardando serem convocados. Que chamem pelo menos dois mil para atender com mais qualidade a sociedade mineira. O sistema elétrico CEMIG está capenga. A Andrade Gutierrez vai raspar o tacho e quem vai arcar com o ônus é a sociedade", desabafou. 
Chamou a atenção para os muitos funcionários que hoje têm seus corpos mutilados, inclusive os terceirizados que trabalham mais de 12h para ter um extra a mais em seus salários, pois ganham por produtividade. "Esse fato gera custos para a sociedade, uma vez que esses trabalhadores recorrem ao SUS e muitos aposentam cedo e a empresa lava as suas mãos. Os funcionários efetivos têm condições de fiscalizar os terceirizados, para evitar acidentes, mas a empresa não abre espaço para que isso aconteça", ressaltou.
Diante do que ouviu dos diretores, Cléber Cabeludo ressaltou sua preocupação, alegando que não tinha conhecimento sobre as mortes dos trabalhadores. Disse que irá pedir para que o presidente da CMU, Elmar Goulart, abra um espaço na reunião ordinária de terça-feira (10) para o SINDIELETRO. Firmou o compromisso de entregar pessoalmente a todos os pré-candidatos a Governador do Estado, que vierem fazer campanha política em Uberaba, um documento elaborado pelo Sindicato, solicitando benefícios voltados aos trabalhadores da Cemig. Comprometeu-se a agendar reunião com os deputados de Uberaba e secretário de Estado e junto com a diretoria do sindicato irá acompanhar estes encontros. Quanto à audiência com o presidente da Cemig, Djalma Bastos, Cléber aproveitou a presença em Uberaba da secretária de Desenvolvimento Econômico do Estado, Dorotheia Werneck, que é presidente do conselho da Cemig, para pedir que ela interceda no sentido de agendar esta reunião.
A vereadora Denise Max – Denise da Supra (PR), também presente na reunião, indignou-se ao tomar conhecimento dos inúmeros acidentes de trabalho que acontecem na empresa e manifestou apoio às reivindicações dos grevistas.
Pauta de reivindicações – Não descontar dias parados em greve; Reajuste salarial com aumento real de 5%; Firmar pacto pela saúde e segurança dos trabalhadores; Cancelar as demissões arbitrárias feitas pela Cemig para tentar tumultuar a nossa campanha salarial e espalhar o terror na categoria; Chamar 2000 concursados, sendo 1000 eletricistas; Seleção interna anual e irrestrita; Participação nos lucros e resultados – Linear de 25 mil com as seguintes metas para 2014: 50% corporativas e 50% gerais por superintendência; E as metas por superintendência têm que ser acordadas até março de 2014.

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