Psicóloga e voluntário do CVV foram convidados pelo vereador Agnaldo Silva

A importância da prevenção ao suicídio foi abordada no Plenário da Câmara Municipal. Atendendo a um convite do vereador Agnaldo Silva, a psicóloga Vera Lúcia Dias falou sobre a Campanha Setembro Amarelo durante a reunião desta quinta-feira (19).

O vereador destacou a importância da campanha e de falar sobre o assunto. Segundo Vera Lúcia, na questão do suicídio “quem não chega pelo amor, pode chegar pela dor”. Ela destacou que é uma questão de saúde pública.

A psicóloga lembra que os números são apenas a ponta do iceberg, pois apenas 1% das tentativas de suicídio chegam aos pronto-socorros. No mundo são 804 mil suicídios por ano, sendo que a cada dez casos consumados, aconteceram de 40 a 60 tentativas. No Brasil são 12 mil casos por ano, com 32 mortes por dia.

As boas notícias, de acordo com Vera Lúcia, é que nove em cada dez casos podem ser prevenidos, inclusive envolvendo situações de transtornos mentais, que podem ser tratados. Ela lembrou que a campanha foi criada para prevenção, por causa da morte de um adolescente nos EUA, que tinha um Mustang amarelo. Após a morte dele, a família teve a idéia de usar um laço amarelo, como forma de alertar, e os pedidos de socorro começaram a aparecer.

A psicóloga esclarece que os suicídios atingem muito esta faixa etária. “É a segunda maior causa de morte de jovens entre 15 e 29 anos”, afirmou. Segundo ela, a maioria das tentativas são de mulheres, mas os homens consumam mais, pois usam métodos mais violentos. São comuns casos de enforcamento, envenenamento, precipitação (pular de lugares altos) e ferimentos com objetos cortantes. Doenças mentais, transtornos, problemas afetivos, dificuldades acadêmicas e no trabalho, solidão, sensação de desamparo, estão entre as causas.

O dia 10 de setembro foi escolhido como o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. A campanha chegou ao Brasil em 2015, transformando o mês de setembro em um período de alerta.

Além do Centro de Valorização da Vida (CVV), que trabalha 24 horas por dia, também participam da campanha o Conselho Federal de Medicina e Associação Brasileira de Psiquiatria. “É um tema que as pessoas não gostam de falar, por causa da culpa e da vergonha de ter um familiar que  suicidou”, acrescentou, esclarecendo que procuram realizar vários eventos para levar informação a população, com dados estatísticos e explicando sobre os sinais de alerta.

“Suicídio não é frescura, é um ato de desespero”, disse a psicóloga, alertando que a maioria das pessoas que fala sobre o tema tenta se matar sim. Outro ponto abordado por Vera Lúcia é quanto a divulgação dos casos pela imprensa.

Segundo ela, pode divulgar os alertas, falar sim sobre o assunto, mas sem expor a pessoa que tira a própria vida, divulgando informações, como bilhetes, por exemplo, “isto sim pode incentivar outros a fazerem o mesmo”, afirmou.

Para a psicóloga, o mais importante de tudo são os sinais de alerta do suicídio. “É preciso ficar atento a eles, pois são bastante claros e explícitos. Deve incentivar a buscar ajuda médica, nunca ignorar ou levar o problema na brincadeira”. Ela lembrou, ainda, a necessidade de criação de políticas públicas voltadas para o tema, como uma lei federal sancionada este ano, que torna obrigatória a notificação compulsória dos casos nos serviços de saúde

O voluntário Marleno Rodrigues de Sousa, que trabalha no CVV, esclareceu que ele e todos os outros são voluntários, que não recebem nenhuma remuneração. “Nós procuramos acolher e ajudar quem precisa”, afirmou.

Marleno disse que o CVV está na cidade há 37 anos e em todo o Brasil são mais de 100 unidades, onde as pessoas ligam para desabafar, procurar apoio. “A solidão mata, provoca suicídios”, acrescentou o voluntário.

O CVV em Uberaba fica situado na rua Fausto Salomão Trezi, número 40, bairro Cássio Resende. O telefone 188 é gratuito.

 

 

Jorn. Hedi Lamar Marques
Departamento de Comunicação CMU

19/09/2019

 

 

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