A criação de um Comitê de Amparo às famílias de mulheres uberabenses vítimas, fatais ou não, de violência doméstica foi requerida hoje (15) pela vereadora Denise Max (PR) no Plenário da Câmara.

Segundo Denise, a violência contra as mulheres vem crescendo assustadoramente em Uberaba. “Os familiares da vítima em muitos casos sofrem ameaças e podem até mesmo se tornar alvo de homens violentos. Exemplo disso foi o ocorrido com a jovem a Talys de Aparecida Lamounier, no último dia 7, e que veio a óbito após ser esfaqueada pelo ex-companheiro de sua tia”, destacou, acrescentando que sem amparo, os familiares não conseguem abolir o trauma sofrido. “O comitê proporcionará maior amparo, segurança e proteção à toda família principalmente, àquelas pessoas que presenciam cenas de agressão.”

A parlamentar aproveitou a sessão para reiterar requerimento, também endereçado ao Executivo, em que solicita um Comitê de Amparo à mulher uberabense vítima de violência.

Denise, que ainda não obteve êxito no pedido, fez questão de citar números sobre esse tipo de violência. “Em Uberaba, foram registradas mais de 3 mil denúncias de agressão contra as mulheres na Delegacia de Orientação e Proteção à Família , segundo a Polícia Civil. No Centro de Referência à Mulher houve aumento de 85% nas denúncias nos últimos três anos”, disse. Mas, de acordo com a parlamentar, o medo de pedir socorro e de concluir o inquérito na Polícia Civil ainda é grande. “Segundo as autoridades, esse número pode ser maior, uma vez que o medo de denunciar o agressor ainda existe. Com medo, algumas mulheres, antes mesmo do inquérito ser concluído ou julgado, retiram a queixa. Geralmente, os crimes são praticados pelo marido ou companheiro da vítima, com tempo de convivência superior a dez anos”, enfatizou.  

A maioria dos casos de agressão é registrada nos finais de semana [de sexta-feira à noite a domingo], pois as pessoas estão em casa e, na maioria das vezes, o agressor está alcoolizado e/ou drogado, contou a vereadora. “Ainda segundo as autoridades, a maioria das mulheres não denuncia seus agressores por não sentir segurança na hora de ligar para o 190 ou no momento de registrar o boletim de ocorrência, pois se sentem desamparadas e fragilizadas pela situação em que se encontram. Dessa forma, criar um Comitê de Amparo à essas mulheres  é proporcionar-lhes maior segurança e proteção, pois tem a finalidade de proteger os direitos da mulher vítima de agressão física e verbal, e, consequentemente, incentivá-las a denunciar o agressor dando o suporte necessário”, frisou.

Casa de abrigo – Foi reiterado, também na sessão de hoje, requerimento pela criação da “Casa Abrigo de Uberaba” destinada a acolher, temporariamente, mulheres vítimas de violência atendidas pelo “Centro Integrado da Mulher – CIM”. “Foi inaugurado em Uberaba, no ano passado, o Centro Integrado da Mulher para atender as mulheres que são diariamente agredidas, física e moralmente, por seus maridos e companheiros e têm suas vidas destruídas, necessitando de socorro imediato. Para que o trabalho realizado pelo CIM tenha maior efetividade e se desenvolva de acordo com a realidade dessas vítimas, atendendo as suas necessidades, se faz necessário um local destinado a abrigá-las e acolhê-las, temporariamente, de forma adequada e sigilosa, sendo as mesmas acompanhadas ou não de seus filhos/as menores de 18 anos, com o objetivo de garantir sua integridade física e psicológica”, encerrou.

Pesquisa – Pesquisa do DataSenado diz que uma em cada cinco mulheres no Brasil já foi espancada pelo marido, companheiro, namorado ou ex. E apesar de 100% das brasileiras conhecerem a Lei Maria da Penha, promulgada há nove anos, elas ainda se sentem desrespeitadas. “Ciúmes e bebida aparecem como as principais causas da violência, que já vitimou 18% das mulheres brasileiras. Aumentaram os registros de violência psicológica e diminuiu a sensação de proteção. Os dados foram revelados pela pesquisa realizada de 24 de junho a 7 de julho deste ano, quando 1.102 brasileiras foram ouvidas na sexta rodada da série histórica sobre violência doméstica e familiar contra a mulher.”

Já o balanço dos atendimentos de 2014 pela Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR) -, mostrou que do total de 52.957 denúncias de violência contra a mulher, 27.369 corresponderam a denúncias de violência física (51,68%), 16.846 de violência psicológica (31,81%), 5.126 de violência moral (9,68%), 1.028 de violência patrimonial (1,94%), 1.517 de violência sexual (2,86%), 931 de cárcere privado (1,76%) e 140 envolvendo tráfico (0,26%). Dos atendimentos registrados em 2014, 80% das vítimas tinham filhos, sendo que 64,35% presenciavam a violência e 18,74% eram vítimas diretas juntamente com as mães. “77% das mulheres que relatam viver em situação de violência sofrem agressões semanal ou diariamente. Em mais de 80% dos casos, a violência foi cometida por homens com quem as vítimas têm ou tiveram algum vínculo afetivo: atuais ou ex-companheiros, cônjuges, namorados ou amantes das vítimas.”

Três em cada cinco mulheres jovens já sofreram violência em relacionamentos, aponta pesquisa realizada pelo Instituto Avon em parceria com o Data Popular (nov/2014).

Jorn. Karla Ramos

Dep. Comunicação – 16/10/2015

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