A entidade, fundada por Chico Xavier, completa 60 anos em abril e precisa realizar adequações que ultrapassam os R$ 200 mil

O Lar André Luiz está correndo o risco de fechar as portas. A instituição, que completa 60 anos no mês de abril e teve Chico Xavier como um de seus fundadores, está enfrentando sérias dificuldades financeiras.

O presidente da Comunhão Espírita Cristã, Nereu Nice de Sousa Alves, assim como o vice-presidente Nilvio de Sousa Alves, além dos diretores do Lar, Enyo Alves e Cida Maria, estiveram no Plenário da Câmara Municipal em busca de ajuda. 

Nereu explicou que a instituição foi fundada por um grupo de pessoas, entre elas Chico Xavier, logo após sua chegada a Uberaba, em janeiro de 1959. Desde então a Comunhão sempre realizou campanhas sociais, com doações de roupas e alimentos, com dezenas de pessoas atendidas.

O presidente contou que recentemente foram encontrados documentos que datam a partir de 1957, quando Chico deixou a Comunhão para criar a Casa da Prece. Uma parceria foi realizada com o Memorial Chico Xavier para a utilização do material, sendo que parte dele será exposto no próximo mês, em parceria com o Shoppping Uberaba.

Segundo Nereu, um dos documentos que será exposto é o projeto original do Museu Espírita, de autoria do arquiteto Oscar Niemayer. Uma das fontes de renda da entidade são os dez livros, cujos direitos autorais Chico deixou para a Comunhão Espírita e o Lar André Luiz, que atualmente acolhe até 30 idosos.

O problema maior agora são as adequações exigidas pelo Corpo de Bombeiros e Vigilância Sanitária. Uma construtora da cidade doou o projeto, sendo que o orçamento total ficou em R$ 218,8 mil, destes R$ 125 mil seriam destinados a mão de obra.

Segundo o presidente, o projeto está aprovado pela Secretaria de Saúde desde 2017, porém ainda não conseguiram a verba necessária. “Até agora conseguimos doações de materiais no valor de R$ 69 mil, mas ainda falta aproximadamente R$ 25 mil em materiais, fora a mão de obra”, explicou Nereu.

Ainda conforme disse o presidente, a entidade conta com 20 funcionários, com gastos mensais de aproximadamente R$ 70 mil. As receitas são obtidas com benefícios do INSS, bazares, doações, promoções realizadas, além dos direitos autorais dos livros. “Mas nós precisamos de apoios ainda maiores”, afirmou, contando que o déficit mensal é de R$ 10,5 mil. Os integrantes da diretoria não são remunerados. 

Uma das internas do Lar, Doralice mais conhecida na cidade como “Dora Doida”, acompanhou os representantes da entidade no Plenário. Ela é moradora do Lar há quase seis anos.

“O Lar tem apenas a finalidade de acolher pessoas idosas acima de 60 anos, que passaram pela comunidade e no final de suas vidas não têm residência, família ou família com condições de atendê-las”, acrescentou Nereu. De acordo com ele, o objetivo é de que os idosos não fiquem sem ter o atendimento que tiveram até hoje, mas não querem continuar funcionando ilegalmente, sem atender as exigências dos bombeiros e para isso decidiram buscar ajuda, inclusive da Câmara.

Nereu afirmou, ainda, que estavam dispostos até mesmo a repassar o Lar para o poder público administrar, mas não acredita que isto aconteça. 

O presidente da Casa, vereador Ismar Marão (PSD), fez o compromisso de repassar R$ 30 mil de suas emendas. “Basta providenciar a documentação necessária”, disse ele. O vereador Alan Carlos da Silva (Patri), também se prontificou a ajudar.

Almir Silva (PR) lembrou que a maioria das instituições não tem como fazer estas mudanças, principalmente uma que tem quase 60 anos d existência. “É preciso ter bom senso, conversar, buscar um prazo maior”, avaliou. Ele disse que aconteceu algo semelhante no Orfanato Dom Eduardo, onde uma adaptação exigida pelos bombeiros fica em cerca de R$ 100 mil. 

Para o vereador Agnaldo Silva (PSD), deveria ter um regime especial previdenciário para entidades como o Lar André Luiz. Ele, inclusive, sugeriu que os vereadores encaminhem uma proposta ao Congresso Nacional. “As instituições são carentes e as emendas dos vereadores não conseguem atender todas”, acrescentou Agnaldo.

O vereador Ronaldo Amâncio (PTB) disse que os internautas que vão para as redes sociais cobrar tapa-buracos, podem cobrar também mais investimentos nas pessoas. “O trabalho do Lar André Luiz merece todo o respeito”, disse o vereador Kaká Carneiro (PR). Ele pediu que a entidade envie os documentos para todos os vereadores, para que possam ajudar na medida do possível. 

Thiago Mariscal (MDB) parabenizou os voluntários pelo trabalho realizado, pelo cuidado e a preocupação com os idosos.

 

Jorn. Hedi Lamar Marques
Departamento de Comunicação CMU

28/03/2017

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