Índio da etnia Timbira, do Estado do Maranhão, esteve no Plenário da Câmara Municipal nesta segunda-feira (15). Beimaklym Constancio da Cruz é natural da terra indígena Geralda Toco Preto, localizada próximo ao município de Itaipava do Grajaú (MA).

O convidado contou que está morando em Uberaba e aproveitou a oportunidade de visitar o Legislativo, lembrando que no próximo dia 19 é comemorado o Dia do Índio. Segundo ele, representa os povos indígenas do Brasil, uma nação que está espalhada em todos os Estados, sendo que, inclusive, a história de Uberaba está ligada aos índios Magro-Jê e Timbiras, além dos caiapós.

Para Beimaklym, o momento é de crescimento para as comunidades, de entendimento de que podem fazer algo mais, que podem crescer. Ele contou que é formado em administração de empresas desde 2015 e não se vê inferior a qualquer comunidade ou povo. “Eu faço parte da nação brasileira”, afirmou.

O indígena comentou que, infelizmente, às vezes são discriminados, quando chegam em algum lugar, são olhados com menosprezo. “Os indígenas têm o direito de correr atrás de seus direitos, de suas terras e o que está estabelecido na Constituição de 1988”, acrescentou.

Beimaklym lembrou, ainda, que ainda hoje existem povos indígenas isolados, dentre os 305 existentes no Brasil, com uma grande diversidade cultural e de línguas. Ainda de acordo com o convidado, está muito satisfeito de estar morando na cidade, para onde pretende trazer a família no próximo mês.

De acordo com Beimaklym, ele espera que as autoridades possam olhar para as comunidades menos favorecidas e também para os povos indígenas. Ele inclusive comentou que não conseguiu localizar indígenas na cidade, mas acredita que muitos não se auto-declaram indígenas por medo e por causa da discriminação. “Eu sou muito feliz por ser índio”, finalizou.

O vereador Samuel Pereira (PR) agradeceu pela presença de Beimaklym, afirmando que os índios são seres humanos que merecem todo o apoio e respeito.

 

Os índios em Minas – Segundo o Centro de Documentação Eloy Ferreira da Silva (Cedefes), na região do Triângulo Mineiro é possível encontrar o povo indígena Catú-awa-arachás na cidade de Araxá, o qual está organizado através da Associação Andaiá. A cidade de Uberlândia também contabiliza uma grande quantidade de indígenas em sua malha urbana.

Ainda segundo o Cedefes, as treze etnias que vivem atualmente no Estado de Minas Gerais são pertencentes ao tronco lingüístico Macro-Jê e contam aproximadamente com quinze mil indivíduos, muitos vivendo nos centros urbanos. Estima-se que na região metropolitana de Belo Horizonte existam de dois mil a três mil indígenas.

 

 

Jorn. Hedi Lamar Marques
Departamento de Comunicação CMU
15/04/2019

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