A Câmara Municipal aprovou nesta sexta-feira (08) a transferência da homenagem ao senador Antônio Augusto Junho Anastasia para a próxima segunda-feira (11). O ex-governador vai receber a Medalha Major Eustáquio, de autoria da 18ª Legislatura, ou seja, será entregue pelos 14 vereadores.

A solenidade estava marcada para o dia 7 de junho, mas devido à crise dos combustíveis provocada pela paralisação dos caminhoneiros, acabou sendo adiada.  Agora a homenagem vai acontecer no dia 11 de junho, no Plenário da Câmara Municipal, situado na rua Coronel Manoel Borges, 41, centro, a partir das 14 horas.

 

Um pouco de história – A Medalha Major Eustáquio foi criada em homenagem ao fundador de Uberaba, Antônio Eustáquio da Silva Oliveira. Ele nasceu em 1770, na Freguesia de Santo Antônio da Casa Branca de Ouro Preto, filho do sargento-mor João da Silva de Oliveira que, natural de Portugal, veio para o Brasil ainda criança e, posteriormente, casou-se com Dona Joana Francisca de Paiva, com quem teve seis filhos.

Nos últimos anos do século XVIII, alguns abastados mineiros da região de Ouro Preto mudaram-se para o Sertão da Farinha Podre, buscando o arraial aurífero do Desemboque, único existente em toda esta região. Entre esses entrantes, estava Antônio Eustáquio e alguns de seus irmãos que, possuidores de sólidos haveres, investiram firmemente na exploração mineral e na agropecuária do lugar.

Inteligente e empreendedor, Antônio Eustáquio, em pouco tempo tomava par­te ativa no governo do Desemboque, tendo exercido os cargos de juiz comissionário, juiz ordinário e demarcador de fazendas e peticionário da Farinha Podre.

Em outubro de 1809, quando exercia essas funções ao acompanhar seu irmão Manoel da Silva e Oliveira, ao palácio do capitão general de Goiás, o Marquês de São João da Palma, foi nomeado regente dos sertões da Farinha Podre, com a responsabilidade de orientar o assentamento dos numerosos colonos que estavam chegando à região, atraídos pela fama das qualidades das terras e do clima das Minas Gerais.

No início do exercício de sua nova função, Antônio Eustáquio permaneceu na Vila do Desemboque, e efetuou duas entradas pelas terras de sua jurisdição: a primeira, entre julho e setembro de 1810, e a segunda, entre julho e outubro de 1812. Analisando a região e percebendo o número de colonos e as condições em que viviam, resolveu explorar o interior da região, buscando facilitar o exercício de seu cargo.

Escolheu fixar-se no vale do córrego da Lage, afluente do rio Uberaba, nas margens da estrada do Anhanguera, construída para unir São Paulo às minas de ouro de Goiás. Convidou alguns fazendeiros do Desemboque a acompanhá-lo e, em 1816, mudou-se para o sítio escolhido. Ele construiu ampla casa de morada, que chamou de Chácara Boa Vista, na margem esquerda do córrego da Lage, próxima à desembocadura no Rio Uberaba e, dois quilômetros acima, um retiro para suas criações,

A vinda do então Capitão Antônio Eustáquio significou proteção para os colo­nos que, construindo suas casas nas proximidades, deram início à formação do arraial, futura cidade de Uberaba.

Nesse arraial, já em 1818, o Capitão fez construir e benzer uma capela, sob o orago de Santo Antônio e São Sebastião, fator importante para a fixação de seus habitantes. Além disso, fez o Porto da Ponte Alta, para estabelecer comunicação com a Vila de Franca; isentou de impostos, por 10 anos, aos que se estabeleceram na região; estimulou o povoamento, a agricultura e o comércio e desviou a Estrada do Anhanguera, fazendo-a passar dentro do Arraial. Todo esse empenho teve resul­tado imediato: em 1819, a povoação já contava com 30 casas, dispersas dos dois lados do córrego.

Em 1820, o Arraial que já contava com 1621 habitantes, dos quais 417 eram escravos, foi transformado em Freguesia com um Vigário residente e o registro cartorial necessário à legalização dos assentamentos dos registros vitais dos habitantes, após o empenho do Major Eustáquio junto a Dom João VI.

Paralelamente à sua atividade como funcionário do governo, responsável pela organização dos colonos e a fundação e cuidados com o Arraial, o capitão Antônio Eustáquio foi também um próspero fazendeiro possuidor de muitas terras, escravos, animais e outros bens. Não era homem de muita instrução, pois frequentou apenas a escola primária em sua terra natal, mas era dono de um espírito prático e criativo.

No dia 13 de junho de 1826, aos 56 anos, casou-se com Dona Antônia de Jesus, com quem viveu até o fim da vida, sem gerar filhos. Ao morrer, em 6 de fevereiro de 1832, Antônio Eustáquio tinha a patente de sargento-mor, mas era chamado pelos seus contemporâneos de major, como se percebe nos documentos da época. Por essa razão a história conservou a designa­ção de major Eustáquio, para o fundador de Uberaba.

No testamento que deixou, consta o reconhecimento de dois filhos naturais como seus herdeiros legítimos: Valeriano Antônio Mascarenhas que morreu celiba­tário e sem filhos, e dona Francisca Maria, que foi casada com Adriano José Fernandes. Uma terceira filha natural, dona Sebastiana Maria do Espírito Santo, foi identificada pelos inventariantes e testamenteiros.

O sargento-mor João da Silva Oliveira (pai de Major Eustáquio) teve, ainda, um filho natural, o Alferes Silvestre da Silva e Oliveira, que foi fazendeiro próspero em Uberaba. Em 2006, por iniciativa do então presidente, Antônio Carlos Silva Nunes (Tony Carlos), a estátua de Major Eustáquio foi transferida, do centro da praça Rui Barbosa, para o passeio do Paço Municipal, e assentada em uma base de concreto, revestida por mármore.

 

 

Jorn. Hedi Lamar Marques
Departamento de Comunicação CMU

08/06/2018

 

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