A transferência das atividades administrativas da empresa Mosaic (antiga Vale-Fosfértil) para a cidade de Uberlândia entrou na pauta de discussões dos vereadores na manhã desta quinta-feira (19). Na oportunidade os parlamentares defenderam que sejam criadas sansões para empresas que recebem benefícios públicos e não permanecem na cidade.

O assunto surgiu no Plenário, após publicação de matéria no Jornal da Manhã. Segundo a publicação, a Mosaic anunciou a implantação de um Centro de Soluções Compartilhadas em Uberlândia e a transferência das atividades administrativas de Uberaba para a cidade vizinha. O vice-presidente da empresa, Rick McLellan, anunciou aos funcionários que a migração deve começar a partir do segundo semestre de 2018.

O presidente Luiz Dutra (MDB) demonstrou indignação com a notícia e defendeu que seja realizado um movimento para que a administração da empresa permaneça na cidade. Ele convocou os demais vereadores a participarem.

Samuel Pereira (PR) fez coro ao protesto. Segundo ele, as entidades de classe da cidade precisam se envolver, assim como os deputados estaduais e federais. Ele disse que é preciso oferecer apoio a todos os funcionários da Mosaic.

Para Samuel, os argumentos utilizados para a transferência são absurdos. Conforme o documento apresentado pela empresa, “a escolha por Uberlândia para sediar as atividades administrativas contou com uma análise de diversos fatores como qualidade de mão de obra, acessibilidade, índices de desenvolvimento, infraestrutura e saúde”.

“Se Uberaba não tem nada disso, por que compraram a Vale?”, perguntou Samuel. De acordo com ele, é preciso ter respeito com a mão de obra e com a capacidade dos uberabenses.

O vereador Rubério dos Santos (MDB) disse que as alegações do vice-presidente da empresa são lamentáveis. Ele lembrou que a matéria-prima do fertilizante está aqui. Rubério ainda anunciou ter tomado conhecimento de que a central da VLI também está indo para Uberlândia. “É preciso juntar forças do Executivo e Legislativo, para evitar estas situações”, acrescentou.

Dutra demonstrou surpresa com a informação. “Não vamos aceitar, vamos bater na mesma tecla todos os dias, até que entendam a importância de Uberaba”, afirmou o presidente.

O vereador Alan Carlos da Silva (PEN) lembrou que recentemente a cidade perdeu o call center da Algar Telecom, que também foi para Uberlândia. Antônio Ronaldo Amâncio (PTB) disse que desde criança ouve que Uberaba perde tudo para Uberlândia. Ele questionou a possibilidade de ter sansões para estas empresas, pois quando chegam à cidade recebem muitos benefícios, sendo que a contrapartida do município sempre é atraente. “E depois de conquistado tudo, se mudam para Uberlândia. Aqui a gente não perde em nada”, acrescentou.

O vereador Agnaldo Silva (PSD) lembrou que ao longo dos anos a administração da Fosfértil e depois da Vale ficaram em outras cidades, mesmo assim, entende que estão rebaixando Uberaba. “É preciso criar alguns artifícios, para que estas empresas deixem algum resultado quando se transferirem do Município”, avaliou.

O vereador Edcarlo dos Santos Carneiro “Kaká Carneiro” (PR) comentou ser comum ter um choque de gestão quando uma grande empresa compra outra. No caso da Mosaic, foi divulgado que seriam quatro etapas de mudanças, sendo que na primeira, no mês de fevereiro, foram 280 demissões. “E ainda faltam três etapas”, disse “Kaká”, preocupado com a possibilidade de haver novas demissões.

“Sem conversar com o poder público, sem respeito, eles decidiram levar a administração da empresa para outra cidade, mas não tenho nenhuma dúvida de que já conversaram com o prefeito de Uberlândia”, afirmou o vereador.

No entendimento de “Kaká”, os representantes da Mosaic podiam ter dito o que precisam para ficarem na cidade, mas não fizeram isso. “Não podemos admitir continuarmos perdendo para Uberlândia, como tem acontecido nas últimas décadas, é preciso uma ação política de governo”, acrescentou.

“Kaká” também criticou a possibilidade de transferência da VLI, que recentemente também recebeu benefícios do Poder Público Municipal.

Segundo o vereador Ismar Vicente dos Santos “Marão” (PSD), tem situações pontuais em que a Câmara é cobrada. Ele citou os nomes de várias empresas que saíram daqui e foram para Uberlândia.

Para “Marão”, tem situações em que estão sendo muito passivos e defendeu que todos os vereadores batam na porta do governador, para cobrar o que é de direito da cidade.

A maior preocupação do líder do Executivo na Casa, vereador Almir Silva (PR), são as empresas que receberam incentivos. Ele citou como exemplo o caso do Carrefour, que recebeu vários incentivos do Município, mas simplesmente fechou as portas e foi embora. “Estes incentivos deveriam ser devolvidos”, avaliou.

Sem citar o nome, Almir se lembrou do caso de uma empresa que na época pediu uma terraplanagem, a qual foi negada pela Prefeitura, enquanto o Carrefour teve tudo “A empresa continua aqui, com vários funcionários, enquanto o Carrefour foi embora”, disse o parlamentar.

Ainda de acordo com o líder, ele entende que os vereadores não têm o poder de impedir que empresas privadas ou particulares se mudem para outros municípios. Ele também lembrou que a atual administração conseguiu muitas conquistas para a cidade.

Os assuntos das transferências da Mosaic e da VLI devem ser discutidos pelos vereadores em uma reunião com o prefeito Paulo Piau.

                                                

 

*As sessões são transmitidas ao vivo pelo canal da Câmara Municipal de Uberaba no You Tube e pela TV Digital 61.3

 

 

Jorn. Hedi Lamar Marques
Departamento de Comunicação CMU

19/04/2018

 

 

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