Vereadores solicitam permanência de diretora na Escola Santa Maria

A demissão da diretora, Maria José Ribeiro, da Escola Municipal Santa Maria, mobilizou os vereadores no plenário da Câmara Municipal de Uberaba, na tarde hoje (17). A diretora foi exonerada, segundo informações, por não comparecer no evento de entrega dos certificados do Sistema de Avaliação do Ensino Municipal (Saem), agendado pelo prefeito Anderson Adauto. Os vereadores externaram preocupação com a situação visto que a diretora é querida entre professores, pais e alunos, desenvolvendo um trabalho positivo na escola, que ficou em primeiro lugar na avaliação em Matemática e segundo em Português.
O representante da Central de Trabalhadores do Brasil, Gilson Reis, destacou que a Câmara tem seu lugar na luta pela Educação, lembrando que a diretora chegou ao cargo através de eleição na comunidade, que é um sistema democrático e não pode ser rompido. Ele destacou que o prefeito tomou uma decisão unilateral “e de forma quase irresponsável”. Para ele é preciso resgatar princípios da democracia e da Lei que foi votada na própria Câmara, no tocante a eleição para diretores escolares. Reis solicitou aos vereadores que revisem a Lei inibindo este tipo de situação no futuro.
O presidente do Sindicato dos Professores Municipal de Uberaba (Sindemu), Adislau Leite, afirmou que “de acordo com os princípios democráticos, a situação ocorrida com a diretora, não condiz com a realidade do Brasil”.  Para o sindicato o motivo da demissão não é plausível, sendo um ato reprovado pela categoria. Ele afirmou que o sindicato está unido a comunidade, no sentido de reivindicar ao prefeito a recondução de Maria José a direção da escola.
Defesa – A subsecretária Mara Bóscoli, explicou que a diretora foi exonerada apenas do cargo de direção que ocupava, visto que é funcionária de carreira do setor de orientação, para onde será encaminhada novamente. Ele afirmou ainda que a Secretaria de Educação estava de posse de atas em que a diretora deixou de cumprir determinadas ações da pasta. “Ela assinou ato de posse e se comprometeu a se envolver nas ações. Também no dia 09 de fevereiro, recebemos documentação em que a diretora recebeu advertência pedagógica, além de outros registros”, revelou.
Ainda segundo a subsecretária, sobre o evento, Mara lembrou que o Saem é um trabalho que representa toda a rede, onde alunos são premiados. “Estávamos ali para parabenizar alunos e pais que se envolveram no trabalho educacional e que tem obtido bons resultados. Seria esta uma solenidade tão simples? Temos o ofício encaminhado e os e-mails. Foram 21 alunos que não participaram da solenidade. O que dizer a eles? Que a escola não prestigiou o empenho deles? A nova diretora e sua vice serão nomeadas no próximo porta-voz”, disse ela.
Vereadores – O primeiro a se pronunciar sobre o assunto foi o vereador Marcelo Borjão (PMDB), que também participou no dia anterior da manifestação ocorrida na porta da Escola Municipal Santa Maria. Ele lembrou que “Maria José foi à diretora que levou a escola a tirar o 1º lugar em matemática e o 2º lugar em português e isso demonstra que ela não era incompetente”. Sem citar nomes, Borjão lembrou ainda que a diretora anterior perdeu um freezer de frango, revoltando a comunidade que pediu seu afastamento na época. Outra revelação feita por Borjão, diz respeito ao trabalho da Guarda Municipal durante a manifestação do dia anterior. “Os Guardas Municipais quase atropelaram os estudantes que estavam na porta da escola. Ao serem interpelados por mim e pelos pais dos alunos, eles disseram que o secretário Sarmento havia dito que estava acontecendo uma rebelião. E se machucam uma daquelas crianças? A escola estava fechada com cadeado para que os professores e outros alunos não saíssem”, questionou.
Em defesa da diretora, Borjão explicou que ela havia afirmado não ter recebido nenhum e-mail sobre o evento, sendo que a Secretaria de Educação, por sua vez, também não havia feito nenhuma ligação. Maria José, segundo os vereadores, levou a escola de 2,7 a 5,8 na avaliação do IDEB. Para Borjão a diretora merecia uma segunda chance.
O vereador e professor Carlos Godoy (PTB), presidente da Comissão de Educação e Cultura, afirmou que estava de posse do ofício do Sindemu, bem como da secretaria. Ele também explicou que pretende ouvir a diretora e outras pessoas envolvidas no caso. “Quero antecipar que não comungo com arbitrariedade. Mas terei cautela e analisarei a questão de maneira minuciosa, para chegar ao fato para tomar as medidas cabíveis”, afirmou.
O vereador Almir Silva (PR), explicou que não conhecia a diretora, mas que teve excelentes informações sobre ela. Ele disse que o secretário José Vandir afirmou para ele que encaminhou o convite. “Mas tem que ter bom senso. É conversar e não demitir. Como demitir uma diretora que elevou a pontuação da escola? Se recebeu o convite e não compareceu ela errou, mas chama para conversar”, avaliou.
O vereador Cléber Cabeludo (PMDB), afirmou que respeita a opinião de todos e lembrou que ele o vereador Tony Carlos tem carinho especial pela instituição, haja vista que estudaram no local. Ele revelou que falou com a diretora que confirmou o que aconteceu. “Também fui informado que não foi o único motivo que levou a demissão. Sei dos avanços que ela fez e sei que não é má diretora, mas ela não seguir diretrizes que deveria ter seguido, infelizmente”, disse ele.
O vereador Jorge Ferreira (PMN) afirmou que é necessário apurar mais o fato, mas que talvez o prefeito pudesse rever a decisão. Ele também destacou que, em seu reduto, a população está satisfeita com as ações da Educação. O vereador João Gilberto Ripposati (PSDB), destacou que defende a ética dos servidores. Ele também lembrou que todos os seres humanos falham, não são perfeitos. “Mas situações como esta devem ser analisadas, no meu conceito, juridicamente. Estamos sujeitos a erros. Mas acredito que devemos nos mobilizar e pedir ao prefeito que se sensibilize e reverta esta situação. De nossa parte, vamos também estudar a atual legislação e se for o caso revisa-la”, afirmou.
O vereador Afrânio Lara Resende (PP) avaliou que em “alguns assuntos a Câmara pode interferir, mas em outros não compete ao Legislativo”. Para Afrânio, no que tange a harmonia entre Poderes, os vereadores podem solicitar uma reavaliação da decisão, haja vista o trabalho da diretora à frente da escola e também o clamor popular. “O que não é possível é mandarmos o prefeito voltar a atrás. Podemos sim, tentar sensibiliza-lo, no sentido de que reveja a decisão tomada”, avaliou.
Para o vereador Lourival dos Santos (PCdoB), a questão não pode ser usado como trampolim político. Ele concordou com o posicionamento de Afrânio no tocante a não interferir, mas sim solicitar uma reavaliação do caso. Para o presidente em exercício, vereador Itamar Ribeiro de Rezende (DEM), a atitude do prefeito foi truculenta e precipitada. Para ele, “pouca coisa restava a fazer, a não ser sensibilizar o prefeito”.
O vereador José Severino Rosa (PT) também afirmou que “até onde vai nosso trabalho podemos sensibilizar o chefe do Executivo”. Ele também lembrou que esta ação poderia ter ocorrida durante reunião do prefeito com vereadores, mas que a oportunidade passou devido aos debates de outros projetos.

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