Votação de Projeto que pode acabar com abstenção na CMU é adiada
O Projeto que pode acabar com a abstenção durante as votações na Câmara Municipal de Uberaba acabou sendo retirado da pauta nesta segunda-feira (16). O Projeto de Resolução (PR) é de autoria do vereador Marcelo Machado Borges – Borjão (DEM), para quem a mudança pode dar mais firmeza ao vereador na hora de votar. 
Borjão, que é a favor do voto aberto, disse que não aceita a alegação de que vereador não está preparado para votar, "é o mesmo que votar não", afirmou. "O vereador foi eleito para ter decisão e não para se abster, ficar em cima do muro". Ainda de acordo com o autor do PR, ele é contra a abstenção, assim como é contra o voto secreto. 
O vereador Antônio Carlos Silva Nunes – Tony Carlos (PMDB) destacou que atualmente vive-se uma moda no país, que se chama transparência de atos, a qual é cobrada pela sociedade dos seus representantes. Tony lembrou que uma proposta de autoria dele, de Borjão e da ex-vereadora Marilda Ribeiro, foi que há sete anos colocou fim ao voto secreto na CMU. "Desde então passamos a ter uma atitude mais transparente", disse Tony, para quem "vereador não é pago para ficar em cima do muro". 
O vereador também comentou casos em que o parlamentar vota quando é bom para ele e quando não é se abstém e sai do Plenário. Para ele, é uma ação covarde, pois a sociedade quer ver a cara, e ao mesmo tempo a atitude e o comportamento dos seus representantes. Tony se ofereceu para assinar como co-autor do PR de Borjão.
Já Cléber Humberto de Souza Ramos – Cléber Cabeludo (PMDB) disse que o vereador tem que estar preparado, para o sim ou para o não, pois já aconteceram várias situações de parlamentares ficarem "em cima do muro". "Que sirva de exemplo para outras Casas", afirmou, acrescentando que nunca teve um voto sequer com abstenção, em quase nove anos de mandato.
Segundo o vereador Paulo César Soares – China (PSL), este é um dos Projetos mais importantes que chegaram à Casa este ano. Ele parabenizou Borjão, acrescentando que o vereador não pode "ficar atrás da cortina" na hora de votar.
Já o vereador João Gilberto Ripposati (PSDB) foi mais cuidadoso com o assunto. De acordo com ele, para votar a favor do Projeto, a Casa precisa melhorar em muitos aspectos, inclusive no que diz respeito aos pareceres jurídicos. Ripposati citou exemplos de Projetos que muitas vezes chegam à Câmara desrespeitando a Legislação, e admitiu que já se absteve de votar sim, mas que teve motivos para isso. "Se o Projeto estiver correto, vai acontecer o sim ou o não, mas isto não ocorre em casos obscuros e com falta de transparência. A Casa deve ficar atenta para não causar constrangimentos futuros", alertou Ripposati.  
O vereador Luiz Dutra (PDT) disse que a Casa já tem demonstrado exemplos até para o Congresso Nacional, quando acabou com o voto secreto, passando a agir de modo transparente. "Eu me lembro de votações em que grande parte dos vereadores se abstiveram, talvez por falta de coragem de assumir um sim ou um não. Eu nunca me abstive de votar. É preciso ser coerente", finalizou.  
O Projeto de Resolução acabou sendo retirado, após pedido de vista de Edmilson de Paula (PRTB), aprovado pelos demais vereadores.

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