Mais de uma centena de trabalhadores da Fundação de Ensino e Pesquisa (Funepu) em greve ocuparam o plenário da Câmara Municipal, na tarde de ontem, em busca de apoio ao movimento. A categoria está em conflito com a direção do Hospital de Clínicas em razão do não atendimento às suas reivindicações e contra o novo modelo de gestão da instituição, nas mãos da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH).

Em forma de audiência pública, os trabalhadores foram ouvidos pelo vereador João Gilberto Ripposati (PSDB) de forma participativa, onde o presidente do Sindsaúde, Juny Júnior Guimarães e representantes das categorias profissionais puderam expor suas insatisfações com o que chamaram de desrespeito com os trabalhadores, muitos deles com serviços prestados à instituição há mais de 25 anos.

Na opinião de Ripposati, o impasse na negociação está relacionado à falta de esclarecimento quanto à disponibilidade de recursos por parte da Funepu para pagamento dos trabalhadores que estão sendo substituídos pelos concursados do EBSERH.  Ele destacou a importância dos serviços prestados pelos trabalhadores da Fundação, os mesmos que têm contribuído para passar conhecimentos aos recém-funcionários do EBSERH e defendeu um processo de transição gradativo em respeito àqueles servidores que dedicaram a vida à instituição.

A secretária técnica em Radiologia, Ângela Maria Gonçalves, reforçou a necessidade de um tratamento de respeito com os trabalhadores e fez um alerta aos representantes públicos quanto à falta de experiência de quem está ingressando na instituição. "Não estamos apenas reivindicando, temos a missão de salvar vidas", afirmou a profissional.

Ao apontar a falta de controle social que represente os usuários do SUS no modelo de gestão adotado pela instituição de saúde, Ripposati afirma que a terceirização dos serviços hospitalares ainda apresenta outras falhas na sua criação, como, por exemplo, a falta de definição de fontes de recursos para acerto de direitos trabalhistas dos servidores da Funepu, alguns quase sentem pressionados a deixar seus cargos e outros que desejam a demissão voluntária sem perda dos direitos trabalhistas.

Atualmente, a Funepu conta com 900 trabalhadores e mais de 400 aderiram à greve. Amanhã (dia 24) haverá audiência na Superintendência Regional do Trabalho, em Uberlândia.

A partir do dia 3 de novembro, o movimento grevista poderá ocupar a tribuna livre da Câmara para mobilizar toda a Casa Legislativa em favor da categoria.

 

Cleide Mariano – Assessoria 

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