Estudantes universitários da UFTM e da Uniube realizaram uma manifestação contra a violência nesta quarta-feira (11). Os alunos estiveram na praça Rui Barbosa etambém no Plenário da Câmara Municipal de Uberaba.

Os participantes usavam camisetas e carregavam faixas pedindo "justiça", "paz", "não à impunidade", "respeito", entre outras frases. Ao recebê-los, o presidente Elmar Goulart (SD) disse que era uma manifestação justa e pacífica, que o Legislativo apoia.

O presidente comentou que na Audiência Pública da Assembleia Legislativa foi dito que "chega de falação", pois a sociedade precisa de ações concretas. "A sociedade precisa ir e vir, estamos presos e os marginais soltos, estamos desarmados e os marginais armados", afirmou.

Participaram da Mesa, o estudante de odontologia da Uniube, Fernando Miguel e os professores Gláucia Helena Fortes e Valdo José Dias.  

Fernando agradeceu ao presidente pelo espaço cedido pela Casa. Ele explicou que o objetivo da presença de todos é como se fosse um grito de socorro. "O povo está ficando com medo de sair na rua, as pessoas estão ficando em casa e a todo momento ouve-se falar de roubos ocorridos pela cidade, muitas vezes envolvendo menores de idade", disse o professor.

Ele pediu aos vereadores que façam algo junto aos deputados e senadores, para exigir mudanças. "Todos estão cansados e não aguentam mais, Uberaba não era assim, e o que está acontecendo é muito ruim", finalizou Fernando.

Já a professora Gláucia, disse que se preocupa muito com a vida social de todos, pois trabalha voltada para a sociedade. "Eu não vim a este mundo a passeio e sim a trabalho. Tudo o que faço é pensando em melhorar a sociedade", comentou a professora.

Segundo Gláucia, os alunos estão antenados e preocupados. Ela contou que tudo começou depois que assaltantes entraram na casa dela, onde agrediram fisicamente sua mãe e filhinho. "Um momento trágico e que abalou todo mundo", disse.

A professora destacou que diariamente acontecem dezenas de assaltos, com roubos acasas, carros, motos e pedestres. "As pessoas estão sendo violentadas, mas não podemos ficar passivos", afirmou. Foi Gláucia quem propôs que fizessem uma manifestação e os alunos abraçaram a ideia. Ela pediu aos vereadores que coloquem a mão na consciência, que tomem frente à política e que façam algo para mudar a situação.

Ela citou como exemplo os menores que praticam crimes e não são punidos.

"É preciso ser um país mais agressivo nas leis, frente à impunidade. Quero muito que o Brasil seja um país melhor, que pensemos nos nossos filhos e descendentes. Penso como vai ser o futuro e quero que meus filhos sejam cidadãos de bem", concluiu Gláucia.

Aos e manifestar o professor Valdo disse ter ficado feliz com a iniciativa que partiu dos jovens, contra uma situação que vem a cada dia se deteriorando mais. Para ele, a manifestação é um início. "Precisamos agir mais, protestar mais, para sensibilizar quem faz as leis", avaliou.

Mesmo assim o professor acredita que mais que melhorar as leis, é preciso fazer com que elas sejam cumpridas, e a única forma é com uma atuação ativa,primeiramente dos políticos.

 

Apoio dos vereadores – O vereador Paulo César Soares – China (SD) destacou a importância do movimento, principalmente por parte dos estudantes, que ele chamou de "futuros governantes da cidade". O parlamentar criticou muito a atual realidade do país. Segundo ele, o Brasil tem o maior índice de criminalidade do mundo, e que mata mais do que qualquer guerra do planeta.

Ele questionou o que o Congresso e o Senado tem feito para fazer uma reforma que beneficie o povo brasileiro, inclusive no que se refere à redução da maioridade. China também chamou de desgoverno a atual administração federal."Estão gastando rios de dinheiro em estádios de futebol, em cidades como Cuiabá e Brasília, onde nem existem times".

Para o parlamentar, é preciso fazer uma reflexão e promover mudanças, principalmente na hora de votar, analisando quem está no poder e o que têm feito para melhorara situação, e o principal, saberem quem vai votar.

"Hoje os comerciantes trabalham, mas não sabem se voltam para casa vivo, o mesmo acontece com todos os trabalhadores. Eu acredito que Uberaba é uma das cidades mais violentas do Estado. O futuro está na mão dos jovens, existem leis demais,mas o difícil é fazer elas serem aplicadas", finalizou.

Marcelo Machado Borges – Borjão (DEM) disse ter orgulho de ver que ainda existem pessoas que têm coragem e que nunca tinha visto uma manifestação assim na cidade. Sobre a atual situação de insegurança, Borjão afirmou que "os culpados somos nós, os políticos". Ele comentou sobre o ofício que mandou para Renan Calheiros em fevereiro deste ano, pedindo a revisão do Código Penal, mas nunca obteve resposta, “é uma vergonha”.

O vereador também chamou de "reunião eleitoreira" a última Audiência Pública realizada pela Alemg em Uberaba. Ele lembrou que recentemente mataram o cabo Marcelo e ninguém fez nada, enquanto a morte de um bandido deixou muitos horrorizados.

"Está precisando do jovem fazer isto, tomar a frente do país, que está uma vergonha",disse Borjão, lembrando que na Inglaterra o autor de um crime pode ir para a cadeia com 12 anos.

"Quando anunciaram a Copa, todos bateram palmas, agora virou demagogia. Todos queriam a Copa sim, mas a roubalheira está acontecendo", criticou o vereador. Segundo ele, na hora que começarem a prender políticos a coisa muda. "A corrupção deu um prejuízo de R$ 200 milhões no ano passado, mas vai roubar um litro de leite para matar a fome do filho para ver o que acontece".

Ainda de acordo com Borjão, o assistencialismo do governo federal é um absurdo, poiso que a população precisa é de emprego e dignidade. O vereador também aproveitou para lembrar o Projeto Ficha Limpa, de autoria dele e do ex-vereador Itamar Ribeiro, que até hoje não foi enviado pelo Executivo para votação. "É preciso cobrar do prefeito".

Franco Cartafina (PRB) se apresentou como o vereador mais jovem da Casa, lembrando que entrou na Câmara em 2013 defendendo a juventude. Ele parabenizou os alunos pela iniciativa e disse já ter ouvido críticas de que os jovens não fazem nada, até mesmo dentro da Casa. "Eu acredito e defendo que esta é uma forma de lutar e de cobrar. A atribuição da Câmara deve ser de pressionar, pois a responsabilidade cabe à Câmara Federal e ao Senado, para que este cenário mude", disse Franco.

O vereador ainda comentou que foi uma manifestação pacífica iniciada por jovens,que devem participar da política. "A juventude representa ¼ da população e merece respeito. Como jovem, sei que não é fácil mobilizar, mas os poucos que participam é que vão fazer a diferença", concluiu.

Na sequência o vereador Cléber Humberto Ramos – Cléber Cabeludo (PROS) disse aos alunos que tem um filho na idade dos manifestantes e que respeita muito a iniciativa. "Nada mais justo que eles venham a esta Casa para cobrar, pois fomos eleitos para isto". O vereador lembrou que ele e Franco entregaram para os candidatos ao governo de Minas o pedido para a cidade ter o segundo Batalhão,mas não acredita que isto aconteça este ano, pois o próprio comandante da Polícia Militar disse no Plenário que não existe tempo hábil nem recursos.

Cléber propôs a formação de uma Comissão com uma agenda em Belo Horizonte e também em Brasília, para entregar algumas reivindicações. "Hoje esta é a pior situação que existe no Brasil, é a segurança, na frente até mesmo da saúde e da educação.Todos estão com medo, mas atrás disso está a droga, que está aterrorizando a todos. O papel é este, se manifestar e cobrar", afirmou Cléber.

O vereador Luiz Dutra (SD) disse que foi uma manifestação pedindo socorro pela segurança pública. "Não basta falarmos de impunidade, é preciso ter comprometimento, e que o governo invista mais na área", afirmou.

Dutra voltou a comparar os salários dos policiais com os dos juízes e dos promotores.Segundo ele, não ouvimos falar destes profissionais porque são órgãos respeitados, que fazem uma seleção mais criteriosa e pagam melhor.

Ainda de acordo com o vereador, primeiro é preciso que o governo federal faça mais,uma vez que recebe a maior "fatia do bolo", se referindo aos impostos. Na avaliação do representante da CMU, falta respeito aos policiais, seja pela má formação,pela lei insuficiente ou pelo fato de ter policiais envolvidos com o crime.

Samuel Pereira (PR) disse que o assunto era pertinente e que também gostaria de demonstrar sua insatisfação com o que tem ocorrido na cidade. "Eu gostaria de tentar mudar alguma coisa, mas nós (vereadores) temos limites. Mas acredito quase todos se manifestarem juntos, é possível conseguir algo", afirmou.

Segundo o vereador, o senador Magno Malta deve vir a Uberaba ainda este mês e aproveitou para sugerir a possibilidade de um encontro com os professores e alunos. Samuel explicou que ele é o senador que mais bate na tecla da redução da maioridade penal. "Assim como eu, ele se preocupa com a família", disse.

Para o vereador, a cidade tem deixado a desejar, mas a segurança é um dever do Estado, que não tem contribuído como deveria. Ele defendeu a busca por parceiros,como os próprios professores e alunos. Samuel também comentou que havia iniciado o processo de recolher assinaturas pedindo a redução da maioridade penal, mas precisou parar por causa do processo eleitoral. Ele sugeriu aos alunos que se quiserem tomar a frente do projeto terá todo seu apoio.

Segundo o vereador Afrânio Cardoso de Lara Resende (PROS), a manifestação é a melhor forma de tentar mudar. De acordo com ele, a polícia está cada vez mais desmotivada,enxugando gelo. Ele contou que mandou requerimentos aos presidentes do Senado e da Câmara Federal no início do ano, pedindo para votarem a PEC 33, que se refere à redução da maioridade e está parada. "Desde o dia 6 de março está aguardando inclusão para votação, mas ninguém tem interesse pelo projeto. Não temos mais espaços para demagogia, é fazendo assim, indo para rua, pedindo penas mais severas que podemos conseguir mudar a situação", afirmou o vereador.

Afrânio também comentou que "tem deputados no Estado que sempre pisaram no pescoço da polícia, participando dos Direitos Humanos". Ele deixou claro que não é a favor de maltratar o preso, mas entende que também é preciso se preocupar com os direitos das vítimas.

Sobre a redução da maioridade para 16 anos ele avaliou que não sabe se resolve, pois certamente os bandidos vão colocar as armas nas mãos de outros menores, de 14 anos ou menos. Mesmo assim afirmou que "a lei precisa ser severa para todos".

O vereador João Gilberto Ripposati (PSDB) disse que falar em segurança é um assunto muito complexo, sendo que alguns assuntos devem ser discutidos abertamente, enquanto outros não. "Homens que estão praticando o mal utilizamos meios tecnológicos mais que aqueles que fazem o bem".

Ripposati comentou que Uberaba conta com 380 policiais para uma cidade que está crescendo cada vez mais. Ele lembrou que Uberaba conta com 172 bairros e o mesmo número de policiais de quando tinha 56 bairros. O vereador é autor de um Requerimento que pede mais 250 policiais para a cidade. Ele lembra que esta é a quantidade mínima para repor o efetivo do 4º Batalhão, sendo que leva de dez meses a um ano para a formação necessária e a respectiva convocação para o trabalho.

Ripposati destacou que até esta data não existe autorização para formar novos policiais."Criar outro Batalhão é ótimo, mas não existem policiais nem para o atual",ressaltou. Ainda segundo o vereador, o mesmo acontece com a Polícia Federal de Uberaba que é um terço, em relação a Uberlândia, para a mesma abrangência de230 quilômetros.

"A Casa está procurando fazer algo. Tem o Fórum Permanente da Segurança Pública,para apresentar propostas, formado por um colegiado com representantes de todos os seguimentos da sociedade", comentou. Ele também defendeu a Carta de Uberaba,bem como ampliar as atividades recreativas nos bairros e a rede de vizinhos protegidos, escolas em período integral, o combate a corrupção, ampliação do número de viaturas móveis comunitárias nos bairros, a unificação da carteira de identidade, uma demanda nacional, pois dificulta muito o trabalho das polícias."Só vamos fazer um país melhor quando a população se unir", finalizou Ripposati.

Já a vereadora Denise Max (PR) parabenizou a iniciativa e afirmou não acreditar na eficiência da redução da maioridade penal, e que "enquanto o país não investir na educação, não vai melhorar".

Para Denise, "é preciso mais policiais na cidade, e não adianta deixar presos na ociosidade, pois saem da cadeia pior do que quanto entraram". Segundo a vereadora, os professores deveriam ser os primeiros valorizados. "Hoje os pais não querem educar os filhos, jogam nas mãos dos professores, que são xingados e ainda recebem baixos salários".

Para a vereadora, a situação na cidade cada vez se agrava mais, em todos os níveis sociais, inclusive quanto ao uso de drogas. "Infelizmente com o governo do PT o país vive o maior estelionato que o cidadão pode sofrer. O governo fica investindo em "bolsas", mas não oferece uma educação de qualidade", afirmou Denise.

Em seguida o vereador Edmilson de Paula (PRTB) comentou que também existem vereadores corruptos, e que "cada um tem que fazer a sua parte". Ele lembrou,ainda, que vários policiais militares da cidade foram mandados para BH por causa da Copa e que "se já são poucos, ficou ainda pior".

Edmilson destacou que se for para falar de segurança pública pode levar o mês inteiro e não vai resolver nada. "Não tem ninguém no Brasil que faz acontecer, é só conversa fiada. Eles saem apenas durante a campanha, pedindo votos".

O vereador aproveitou para fazer um convite aos participantes da manifestação,para que participem da caminhada pela paz e contra o crack, que será realizada no mês de julho. A semana terá início no dia 21 e a marcha está marcada para o dia 26 do próximo mês.

O presidente Elmar Goular foi o último a se manifestar, dizendo que o momento é este e o Legislativo precisa levar as reivindicações aos responsáveis. Eleainda criticou o auxílio de quase R$ 1 mil recebido pelos presos e disse que os mesmos deveriam trabalhar enquanto cumprem pena. Para Elmar, um novo Batalhão será mais um elefante branco. O presidente defendeu que a cidade precisa é demais policiais. "É preciso dar poder de polícia a polícia, pois hoje o policial tem medo, não do bandido, mas da sociedade, pois qualquer coisa que acontece ainda responde a processos", disse, acrescentando que "é preciso mudar muitas coisas, juntar forças, começar um movimento da cidade e região, pois caso contrário as coisas vão ficar cada vez pior". Ao final ele mais uma vez parabenizou os participantes pela manifestação ocorrida de forma pacífica e ordeira.

 

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